segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Competitividade e equilíbrio


Um típica loja de vizinhança. Mas o Lewiatan, localizado em um bairro periférico de Varsóvia, é mais do que isso. A loja é uma das 2 mil unidades da rede de franquias existentes na Polônia e que combate as grandes redes varejistas oferecendo sortimento, bom atendimento, variedade e comodidade aos moradores da comunidade no entorno do estabelecimento. “Em 1994 sabíamos que teríamos de integrar as lojas existentes no mercado polonês, pois seria uma questão de tempo para as grandes redes varejistas invadirem a Polônia. Deveríamos estar preparados para isso”, diz o presidente da Câmara do Comércio da Polônia e fundador da rede de lojas, Waldemar Novakowski.

Os 250 metros quadrados da loja, que faz parte da maior cadeia do País, tem espaço para diversos tipos de produtos e serviços que podem facilitar a vida dos consumidores que entram nela diariamente. Para que todas as unidades estejam em sintonia com as melhores práticas, o escritório central constrói as metas de gestão e transfere a tecnologia de compra e de vendas para as regionais. “A divisão do mercado entre grandes e pequenos nos permite manter a competitividade. O monopólio deve ser combatido e deve-se criar leis que permitam manter o equilíbrio entre os grandes e os pequenos”, afirma Novakowski.


Valor agregado


Aberto 24 horas por dia, o Bronisze aproveita a entrada da Polônia na União Européia em 2004 para crescer. “Muitos produtos dos países vizinhos são estocados no País, devido a localização estratégica para se alçar outros mercados próximos”, diz o vice-presidente da companhia, Harold Dobrowolski.

O local foi criado para que o produtor tivesse acesso ao valor agregado. No país 50% dos produtos são distribuidos pelas grandes redes supermercadistas e os outros 50% por pequenos produtores. “Não há rivalidade. Isso é produtivo para o mercado de consumo”, afirma o executivo.

A receita do Bronisze vem de duas formas: na cobrança de aluguel – ao preço médio de 13 dólares o metro quadrado de cada box – e na taxa de entrada para os produtores que não tem box, mas vem comprar e vender. Válida por 24 horas e variando de acordo com a tonelagem de produtos e tipo de veículo, a taxa pode custar de 5 zlotys (carro particular) a 120 zlotys (caminhões maiores) - aproximadamente 3,50 reais a 84 reais. “O trânsito é o nosso maior desafio. A área está pequena para o volume de veículos que transita pelo diariamente pelo local”, diz Dobrowolski.

Organização e limpeza


Uma central de abastecimento organizada, limpa e com diversos serviços diferenciados – tanto para os produtores quanto para os compradores de frutas, legumes, verduras e flores. Assim é o Bronisze, que conta com 700 empresas instaladas em boxes individuais e mais de 60 mil pequenos produtores que passam pelo local durante o ano inteiro – o que resulta em uma comercialização de 1,5 milhão de toneladas de produtos durante o ano. Sem a venda de itens a granel e tudo previamente embalado, as perdas no local são quase nulas, (devido à falta de manuseio direto).

“No Brasil, as perdas chegam a 30% porque não se empacota o produto. Esse modelo tem de ser copiado, pois gera menos perda”, disse o professor da Faculdade de Economia e Administrição da Universidade de São Paulo, Nelson Barrizzelli, durante a visita.

A oferta de produtos importados e frutas da Espanha, Itália e Turquia é grande no período de outono na central, que começou a funcionar em 1999, em Varsóva, em uma região que produz 30% das frutas e 40% das verduras consumidas na Polônia.

sábado, 17 de outubro de 2009

Minha homenagem aos fotógrafos...


...profissionais.

Nestes oito dias em que dormi e acordei com uma máquina fotográfica a tiracolo, a versátil Nikon D-60 comprada um dia antes do embarque, aumentei a minha admiração por quem enxerga o mundo através do visor de uma câmera.

Volto ao Brasil sem me sentir capaz de substituir o olhar diferenciado desses profissionais, mas certamente capaz de entender melhor a maneira como eles percebem a informação contida em uma imagem – seja uma paisagem, o retrato de uma pessoa, o interior de uma loja ou um flagrante não planejado na rua que precisamos registrar antes que a ação termine.

As novas tecnologias misturaram os limites da atuação e as responsabilidades de cada um no processo de construção da notícia. Antes, apenas repórteres com carteirinha – e diploma – podiam se atrever a colecionar informações, separar o joio do trigo e oferecer o melhor resumo da ópera possível aos seus leitores. Assim como apenas fotógrafos com calos nas pálpelbras (de tanto abrir e fechar os olhos) tinham a tarefa de congelar a notícia e entregá-la ao talento dos editores – de texto e design – para dar forma à reportagem nas páginas das revistas e jornais.

Com o advento da Internet, e a necessidade de abastecer milhões de páginas noticiosas de informação fresquinha, esse processo ganhou velocidade. Hoje, é normal que um fotógrafo enviado ao palco da notícia envie por e-mail, bluetooth ou serviços de FTP não só a imagem como também o texto base para a notícia que será publicada. Assim como jornalistas fotografem, ou filmem.

Nesta VTI, fiz nada menos que 4 mil fotos, que guardei em meu laptop para editar na volta à redação. Algumas estão postadas neste blog. As melhores estarão na próxima edição da Revista Distribuição. Se imaginarmos que cada foto poderia representar um frame de filme, esse pacote que levo bem poderia virar um minidocumentário.

Pensando bem, acho que é o que me pedirão para fazer...

Voltando para casa


Os compromissos do último dia da VTI, que se encerram quase em cima da hora de a delegação brasileira embarcar de volta para o Brasil, não permitirão que eu poste novas informações até chegar em São Paulo.
Na segunda-feira (19/10), publicarei a cobertura dos derradeiros encontros de trabalho entre os empresários e executivos brasileiros com seus pares poloneses. E, durante a semana, um balanço sobre a VTI ABAD 2009 - Leste Europeu.

Olhos sobre uma nova Polônia


A localização estratégica da Polônia faz com que todos abram os olhos para esse país, do tamanho do Paraná – onde, coincidentemente, se concentraram os imigrantes poloneses que chegaram ao nosso País, a partir do século 18 e, principalmente, no pós-guerra de 1945. Situada no centro da Europa, ela possibilita acessar outros mercados no Leste Europeu por rodovia e trem de carga a custos não muito altos.

Até o ano de 2013, serão injetados mais de 67 bilhões de euros na economia por outros países países da Europa em obras de infraestrutura e desenvolvimento. Um superPAC polaco, digamos, alavancando o espetáculo do crescimento do país.

Com seu povo simpático e acolhedor, e, acredite, muitas palavras que têm a mesma grafia do português, a Polônia ruma a um desenvolvimento que durante décadas foi sufocado pela subordinação aos interesses geopolíticos e econômicos da extinta União Soviética. Não nos esqueçamos que o tratado militar dos velhos regimes comunistas, o Pacto de Varsóvia (que se opunha à aliança militar ocidental capitaneada pelos Estados Unidos, a OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte), foi assinado na capital polonesa.

O mundo bipolar, marcado pela tensão da guerra fria entre a ex-URSS e os Estados Unidos, ruiu com a queda do Muro de Berlim, vinte anos atrás, e as mudanças políticas no Leste Europeu. Agora, a Polônia corre para compensar o tempo perdido e conseguir um lugar no bonde da história.


Rumo a um novo patamar II


Na Polônia, os formatos varejistas de todos os tamanhos – do pequeno varejo de bairro até o hipermercado tradicional – também têm caixas registradoras apresentando o tilintar de boas vendas. Só para se ter alguns exemplos, em duas lojas do Carrefour, um hipermercado e uma no formato express – formato que a empresa ainda não inaugurou no Brasil, mas que se parece bastante com as unidades do concorrente Extra Fácil ( só que um pouco maior) –, apresentavam movimento impressionante em uma quinta-feira à tarde. Pude presenciar os corredores cheio de consumidores e carrinhos lotados de produtos.

No pequeno varejo, não foi diferente. Nas boas e organizadas lojas do país, desde as periféricas até as localizadas em regiões mais abastadas ou no centro da cidade, o movimento de consumidores que buscam variedade, praticidade e qualidade é crescente.